ESPERANÇA DE LAGOS JOGA EM OLHÃO

O Olhanense volta a jogar em casa este Domingo, pelas 15h00, frente ao Esperança de Lagos. O adversário foi campeão distrital do Algarve na temporada passada e está actualmente no 16.º lugar da classificação, com apenas dois pontos, referentes a dois empates.

Este nosso vizinho é um velho conhecido (ambos os clubes foram fundadores da AF Algarve), adversário habitual nas primeiras provas regionais do início século passado e mais recentemente nas décadas de 80 e de 90, nas antigas 2.ª e 3.ª divisões.

armandoamancio.jpgContudo, desde 1993/94 que os dois emblemas não se encontram no mesmo escalão em provas nacionais. Estavam ambos na Zona Sul da 2.ª Divisão B e, tal como agora, as duas equipas tinham objectivos diferentes: a formação rubro-negra, orientada pelo búlgaro Stoycho Mladenov, ficou na segunda posição e os lacobrigenses ficaram em último lugar e foram despromovidos.

Na última visita do Esperança ao José Arcanjo o triunfo pertenceu-nos a nós, por 2-0, com golos do veterano brasileiro Sérgio Pinto (de grande penalidade) e do então jovem avançado Hugo, contratado ao Culatrense (atleta que se destacara como goleador no Distrital, mas que pelo Olhanense na 2.ª Divisão B fez apenas esse golo).

fernandocabrita.jpgEstas duas cidades estão ligados em termos futebolísticos há mais de um século (ambos os clubes foram fundados em 1912), e duas das maiores figuras da história do Olhanense são naturais de Lagos: Armando Amâncio e Fernando Cabrita.

O primeiro foi o principal fundador do nosso clube e o primeiro “capitão”, jogando desde 1912 a 1923. Era ele, com o seu irmão Joaquim Amâncio, que organizava os primeiros treinos e foi também ele próprio que comprou os nossos primeiros equipamentos. Foi ainda ele que liderou o “team” nas primeiras provas que disputámos e na primeira digressão internacional, a Gibraltar e Espanha, em 1922. Só já não fez parte da equipa rubro-negra que conquistou o Campeonato de Portugal, pois passou a jogar no Ginásio Olhanense em 1923/24.

O segundo foi o jogador de maior destaque na chamada “década dourada” do Olhanense na 1.ª Divisão, na década de quarenta. Avançado temível, é ainda hoje o nosso maior goleador de sempre no escalão principal (e o segundo jogador mais internacional pelo Olhanense, só ultrapassado por Tamanqueiro). Jogou de rubro-negro de 1942 a 1951, sendo titular da equipa que conseguiu ficar em 4.º lugar e que chegou à final da Taça de Portugal.

Cabrita teve também depois uma longa carreira como treinador, sendo o ponto alto o cargo de seleccionador nacional na fase final do Europeu de 1984. Faleceu em 2014, com 91 anos de idade, a 22 de Setembro. Quis o destino que exactamente nesse dia em 2019, amanhã, os seus dois primeiros clubes como atleta federado (Esperança e Olhanense) se defrontassem a nível oficial após um interregno de 25 anos.

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