OS NOSSOS INTERNACIONAIS: DOMINGOS DAS NEVES

O terceiro internacional AA ao serviço do nosso clube nos anos vinte é o menos conhecidos dos três. Já escrevemos sobre dois deles, Tamanqueiro e Delfim, que se estrearam ambos numa derrota frente à Espanha em 1925, sendo que o nosso destaque de hoje, Domingos das Neves, ganhou a sua primeira e única internacionalização no jogo seguinte, frente à Itália.

Poderá não ter sido um baptismo internacional brilhante (a imprensa da época descreveu a sua exibição como um pouco apagada) mas foi tudo menos azarada, visto que se tratou da primeira vitória no historial da equipa das quinas. E Domingos das Neves até fez o centro para o único golo da partida, marcado pelo sportinguista João Francisco, de cabeça.

Mas quem foi Domingos das Neves? Há cerca de dez anos atrás, quando iniciávamos o arquivo histórico do nosso site, recebemos um contacto de um jornalista desportivo que também pesquisava sobre este jogador, para tentar saber o seu local de nascimento, visto que era uma informação que não constava nas várias publicações existentes sobre os futebolistas internacionais pelo nosso país.

Ainda hoje essa informação não consta no site da FPF, mas julgamos o “mistério” é desvendado pelo blog EQUIPAS VITORIANAS, que publica o recorte de uma publicação de 1922, onde constavam «breves apontamentos biográficos» dos onze elementos da equipa do Vitória de Setúbal desse ano, e em que é referido que apesar de se ter iniciado no clube sadino, o atleta era natural da Mina de São Domingos.

Em Olhão Domingos Neves surge em 1922, para jogar no nosso vizinho e então grande rival futebolístico, o Ginásio Olhanense, que representa durante duas épocas. Passa a vestir as cores rubro-negras após a conquista do Campeonato de Portugal, e permanece no nosso clube durante quatro anos, antes de regressar a Setúbal, para voltar a envergar a camisola do Vitória.

Este atleta actuava na frente de ataque, preferencialmente como extremo ou interior direito, mas também jogava a avançado-centro e marcou vários golos pelo Olhanense. A 15 de Junho de 1925, no seu único jogo pela selecção principal (representou várias vezes as selecções de Lisboa e do Algarve, em jogos que também eram eventos desportivos muito importantes na altura), jogou a ponta direita e marcou o canto na sequência do qual surgiu o golo que deu a histórica primeira vitória nacional nesta modalidade que nas décadas seguintes movimentou e movimenta tantas paixões e emoções.

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